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O massacre “politicamente correto”, pode?

Por Said Barbosa Dib

A senadora petista, Ana Júlia Carepa, ao tentar justificar o injustificável – o massacre de seres humanos em Rondônia -, cometeu um ato falho ou, no mínimo, uma demonstração de ignorância absoluta e despreparo: disse que os senadores indignados com o massacre estavam sendo “xenófobos” (sic) com a comunidade indígena. Isto mesmo, com ar de heroína secundarista em combate, deixou claro que aqueles discursos de revolta dos senadores eram uma manifestação preconceituosa contra os pobres indiozinhos, “massacrados desde o “Descobrimento do Brasil” e que, portanto, seria natural que estes revidassem agora. E que, acreditem!, ir contra o ato deles seria xenofobia dos senadores. Pode uma coisa dessas?

De duas, uma: ou a senadora ignora totalmente o significado da expressão xenofobia (“aversão aos estrangeiros”), o que me recuso a acreditar; ou considera os nossos silvículas definitivamente como não-brasileiros e, portanto, fora das regras do jogo constitucional do Estado Nacional. E o pior: talvez a nobre senadora já esteja assumindo de vez o que os petistas atrelados às ONGs transnacionais sempre negaram, mas que, sabemos, sempre desejaram: a transformação das áreas indígenas nacionais em patrimônio internacional sob a tutela de ONGs estrangeiras e da ONU. Tal “ato falho” – ou compromisso de fé? - guarda em si um perigoso precedente. É bom que se diga.

Isto porque, como muito bem definiu Ives Gandra da Silva Martins, no excelente e esclarecedor artigo “Os indígenas privilegiados”, “a pressão exercida por ONGs internacionais sobre a Constituinte, entre 1987 e 1988, inclusive com a presença de um famoso cantor (Sting), para a defesa dos 300.000 índios brasileiros, resultou na oferta de 10% do território nacional para tais pessoas, deixando para os outros 175 milhões de brasileiros, os 90% restantes”. No mesmo artigo, esclarece que “em outras palavras, teria o constituinte, em um único artigo, outorgado a 300.000 privilegiadíssimas criaturas -a grande maioria civilizada -10% das terras brasileiras, cabendo à União apenas protegê-las, visto que tudo lhes pertenceria e seria permitido. (....) Considerar de propriedade dos indígenas vastas extensões de terra, que já não são por eles ocupadas, há muito tempo, é tornar todo o ´brasileiro não-índio` cidadão de 2a categoria. Os brasileiros sem teto, sem terra, sem habitação e sem emprego, que não gozam de direito a qualquer parcela das terras brasileiras, nesta categoria estariam incluídos. Em compensação, os privilegiadíssimos cidadãos indígenas (300.000) seriam intocáveis possuidores de 10% do Brasil. (....). O certo é que o infeliz texto do dispositivo constitucional está provocando conflitos semelhantes aos provocados pelos violadores da lei enquistados no MST, sendo que a conivência governamental, que leva a proteger os privilégios indígenas contra os cidadãos brasileiros, pode, inclusive, despertar, no futuro, o interesse de potências do primeiro mundo, em substituir a União na tutela desta parcela da nação brasileira, que o constituinte - na leitura canhestra do governo - teria transformado em segmento autônomo, separado do povo brasileiro. Se assim fosse, valeria a pena que cada brasileiro requeresse a "cidadania" indígena, para, de imediato, tornar-se dono de parte do Brasil”.

Mas, além da advertência relevante do jurista Ives Gandra, outra curiosa e terrível conclusão que tiramos do pronunciamento maquiavélico e irresponsável da senadora é de que o ato de matar, o assassinato, tem conotações diferentes – e implicações políticas também diversas – dependendo apenas dos objetivos partidários e da eficiência com que o praticamos. Para defender, com armas na mão, terras produtivas e legais contra atos ilegais dos trabalhadores sem terras, por exemplo, não pode, pois seria contra os interesses do PT. Para se defender as terras indígenas contra os garimpeiros, trabalhadores brasileiros “não-índios”, desempregados e impelidos para a luta desesperada por sobrevivência, massacrar passa a ser um ato heróico de resistência, se estiver dentro da visão de mundo e das “utopias” da esquerda. Talvez tão heróico e “politicamente correto” quanto os progrons genocidas do camarada Stalin, o “paredom democrático” em Cuba ou a atuação igualizadora da guilhotina da Revolução Francesa. Todas, ignomínias e aberrações políticas consideradas pelos petistas como válidas, pois foram ao encontro dos objetivos “nobres” de pessoas como os seguidores do senhor Lula e de seus patrões: os interesses transnacionais comprometidos com a destruição do Estado Nacional brasileiro. Afinal, “os fins justificam os meios”, não é mesmo senadora Carepa?


Said Barbosa Dib é professor de História em Brasília e analista político
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