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A UDN e o PT

Celson Brant

O Brasil só não é hoje o país mais rico do mundo por causa da extrema mediocridade de sua classe política. Em 500 anos de existência, os nossos políticos foram incapazes de criar um projeto político para o País. Se, quando pretendemos construir uma casa, a primeira coisa que fazemos é a sua planta, como pensar em construir um País sem o projeto político?

O País é o que é o seu projeto político, e se realiza à medida que realiza esse projeto. A falta de um projeto político é que faz do País uma colônia. A colônia não existe para cuidar dos seus interesses, mas para enriquecer o colonizador.

Os políticos brasileiros não têm uma visão abrangente da realidade nacional. Estão voltados para os seus interesses particulares e de grupos. Nunca tivemos partidos nacionais, os que tivemos não passaram da união de homens em torno de interesses comuns, que nada tiveram a ver com os da Pátria.

Nos últimos tempos, os partidos que mais se salientaram pela luta por um ideal comum foram a UDN (União Democrática Nacional) e o PT (Partido dos Trabalhadores). A UDN reunia os que, durante a ditadura de Getúlio Vargas, defendiam os ideais democráticos.

Todo mundo se lembra do Manifesto dos Mineiros, que reuniu a fina flor da inteligência de Minas contra o governo antidemocrático de Vargas. A UDN foi o braço político desse movimento libertário, que defendia a volta da democracia.

Pois bem, os mesmos homens que se lançavam, violentamente, nessa época, contra a ditadura civil de Getúlio Vargas, poucos anos depois, eram os guardiãs da ditadura militar, nascida do Golpe de 64, organizado e financiado pelos Estados Unidos.

Na verdade, os udenistas não haviam mudado muito: durante todo o período democrático, não tinham feito outra coisa que estimular o golpismo. A UDN estava sempre na porta dos quartéis, convocando os militares para o golpe.

E não se diga que foram poucos os líderes udenistas que aderiram ao golpe de 64. O brigadeiro Eduardo Gomes, que havia traduzido para o português o lema americano "o preço da liberdade é a eterna vigilância", emprestou o seu nome à aventura golpista, o mesmo fazendo o "democrata e liberal" Milton Campos, o do "governo mais das leis que dos homens".

O ato de cassação de Juscelino Kubistchek, um dos momentos mais indignos da nossa história, foi assinado, primeiro por Castelo Branco, que traiu o ex-presidente, que lhe havia dado apoio, e, em segundo lugar, por Milton Campos. É difícil entender que um democrata tenha sido ministro da Justiça da mais torpe e abjeta ditadura militar da nossa história. E que retirou da vida pública o único brasileiro que correspondeu às expectativas do nosso povo no sentido do progresso e do desenvolvimento do nosso país.

Ato que é ainda mais estranhável quando se sabe que o ministro Roberto Campos, simples lacaio dos Estados Unidos, se recusou a nele colocar a sua assinatura, tendo comunicado ao ditador Castelo Branco que preferia deixar o Ministério a fazê-lo.

O PT repete, agora, essa mesma cena de falta de caráter da UDN. Durante o reinado entreguista de Fernando Henrique Cardoso, foi o grande adversário do FMI, em que identificava, com razão, a raiz de todos os nossos males. Uma vez no poder, com a vitória de Lula, o PT mudou completamente de posição, passando a endeusar o FMI e a sua política suicida.

Com homens dessa categoria e falta de caráter, não é difícil compreender como um País, como o Brasil, que poderia ser o mais rico do mundo, esteja hoje na situação de um dos mais pobres e miseráveis.
Celso Brant é escritor e economista