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LUTA DE CLASSES, SOFISMA DOS ARAUTOS DO TERROR.

Produzido por TERNUMA Regional Brasília

Introdução.

Este artigo é dedicado aos que lutaram e ainda acreditam que é preceito de manuais militares básicos conhecer os chamados agentes adversos, eufemismo adotado para suavizar a designação de inimigo interno, treinado no exterior, defensor de ideologia internacionalista, guerrilheiro urbano e rural e iniciante da violência revolucionária contra as forças responsáveis pela garantia da lei e da ordem em nosso país.

Características de Atuação.
A social democracia abandonou os conceitos de luta de classes e de ditadura do proletariado em 1959, no Programa de Godesberg de 1959, mostrando reconhecer erros de sua formação e os malefícios do marxismo-leninismo.

A luta de classes, designada por Marx como a força motriz da História, é ponto focal no paradigma materialista-histórico (que não é construção sistêmica só de Marx, mas também de Engels, Lênin e outros), se desenvolve num processo constituído por três formas de luta irmanadas: a econômica, a política e a ideológica, com contornos praticamente indefiníveis ao longo da revolução socialista, seja qual for à forma e o caráter com que ela se apresente.

Ainda que a luta econômica (L.E.) aparente, ocasionalmente, ter certa precedência, na realidade ela está enredada e interage com as demais, como já salientamos, não sendo rara a mudança de prioridade de uma para outra, por razões de ordem tática. Ela é o campo das constantes ações dos “brilhantes” economistas, do tipo Guido Mantega, alardeados pela mídia engajada.

A L.E. tem como um de seus objetivos “conscientizar” o proletariado e seus aliados de classe (ou os “excluídos” de hoje) de suas condições de classes exploradas, via mídia, reivindicações, protestos, greves, invasões, ocupações e ações de massa típicas de condução por Partidos e suas Organizações de Frente (ONGs, Movimentos Sociais, Sindicatos, Associações, Uniões de Estudantes e outras similares).

A atuação da L.E. não se esgota no campo nacional, buscando solidariedade no campo externo, o que também é visado pelas demais formas de luta. Na área internacional baseia sua ação no ataque cerrado contra o imperialismo, estágio superior do capitalismo, segundo Lênin, que na atualidade atua sob o manto da “globalização”...

As atuações da OSPAAAL, da OLAS, da Via Campesina e sua subsidiária Coordenadoria Latino-americana de Organizações Camponesas (CLOC), do Fórum Social Mundial, projeção internacional do Foro de São Paulo, são exemplares na conduta da práxis revolucionária internacionalista.

É normal que esta forma de luta seja a que primeiro se evidencie no cenário conflituoso de um país, não só por ser o campo onde se aguçam as contradições inter classes, mas, também, por ser o campo focal da área externa onde o “imperialismo” é o inimigo principal do “internacionalismo proletário”, com evidentes reflexos no âmbito nacional. Quando sua condução se reveste da forma de trabalho de massa, ela se confunde, com as ações tipo agit-prop, intrometendo-se no cenário das lutas política e ideológica.

A luta política, forma principal de luta, é função básica do Partido (Organização ou Frente) que aglutina e conduz as classes exploradas no enfrentamento diuturno de classe contra classe (a célebre práxis, ou a trilha mortuária de vencidos e vencedores das revoluções) e sua dimensão ganha projeção, real ou aparente, na razão direta da ineficiência político-administrativa, da falta de caráter moral, da omissão, da cúmplice conivência e de outros fatores negativos do Estado Burguês, em qualquer das formas de governo que ele apresente.

No Brasil atual, o Estado Democrático de Direito pouco a pouco ganha os contornos do “Estado Democrático Socialista”, pregado por intelectuais orgânicos do PT, do PC do B, e de outros partidos. Estes contornos modelam um esboço cuidadoso baseado em conhecidas democracias populares, que almejam facilitar uma ruptura, o mais indolor possível, como querem Eduardo Jorge, Carlos Nelson Coutinho, Marco Aurélio Garcia e tantos outros do Partido das estrelas e borboletas... Há os que não se importam que ela seja indolor ou não...

A luta armada é considerada a forma superior de luta política.

A luta ideológica (L.I.), difundida na mídia, nos púlpitos “progressistas libertários”, nas cátedras, nos comícios e fóruns pelos formadores de opinião, militantes ou não, todos artífices e intelectuais orgânicos da revolução, ajusta-se na medida do possível e até do impossível às lutas econômica e política, dando a tônica palatável, sempre que necessário mimética, dissimulando nas entrelinhas os fundamentos doutrinários do materialismo-histórico, mutatis mutandis, do marxismo-leninismo. A L.I. é moldada aos públicos alvos selecionados: a sociedade civil organizada (ONGs, Movimentos Sociais e outros), ou a massa em geral.

Pela via estrutural revolucionária (Partido e Organizações) a verve doutrinária é firmada nos núcleos de base, nas Secretarias de Formação Política, nas Comissões Pastorais e nas CEBs, no Instituto Cajamar, nos cursos das escolas de quadros do MST em diferentes níveis (no país e no exterior), em fóruns (foro) e seminários, nacionais e internacionais, visando sempre a recrutar iludidos jovens ou atrelar cada vez mais os novos militantes ao bê-á-bá dos fundamentos ideológicos, tornando-os fanáticos defensores dos estereótipos, clichês, e jargões das utopias que embalam idealistas sem preparo, futuros mestres da pseudologia.

“El objetivo fundamental de la L.I. que llevan a cabo las fuerzas del socialismo consiste en mostrar a las masas el futuro comunista de la sociedad y trazar hacia este futuro el camino más corto y menos doloroso”. (Extraído do Dicionário – Comunismo Científico, Ed. em espanhol, da Editorial Progresso, Moscou, 1981, página 246). Ainda que este texto seja de uma obra produzida na época do “socialismo real”, seu significado se encaixa nos parâmetros atuais da falácia do marxismo revolucionário como afirmou o atual petista Apolônio Carvalho (ex-militante do PCB e do PCBR) em “PT: Um Projeto para o Brasil”.

A forma de difusão do ideário da luta de classes em sua tríplice constituição, econômica, ideológica e política, pelas mais variadas vertentes - ortodoxa, trotskista, gramsciana, neomarxista, marxista – cristã (sic) e outras variantes alienadas - depende da linha da organização ou coligação condutora do processo revolucionário.

Pela palavra e obra de seus ícones, a perspectiva de luta armada foi e é inerente a qualquer vertente marxista revolucionária, mesmo da suposta via pacífica, onde ela brota e se desenvolve a coberto das instituições políticas, abrigada na via parlamentar, camuflada por um reformismo que só engana ignorantes, incautos e mal intencionados.

Qual a razão da persistência neste ideário de lutas, assentado em dados necrológicos de oportunistas, aventureiros e jovens militantes?

O marxista-leninista é, a semelhança do fanático religioso, o portador congênito do auto-engano, como parece se projetar do texto de Eduardo Giannetti em sua obra - “Auto-Engano”, Ed. Companhia de Letras, 1998: “ele é a pretensão ilusória e infundada do autoconhecimento – o imaginar que é sem sê-lo, o acreditar convicto que seduz e ofusca, a fé febril que arrebata, a certeza de saber sem saber” (página 113).

A organização política que aglutina estes zumbis ideológicos, a suposta vanguarda, retrata em seus estatutos e programas análises conjunturais empoladas que, ao se pretenderem verdades científicas, só tecem meras conjecturas: um vir-a-ser que não será...

O militante, um crente dos pressupostos, amante ideal do auto-engano, é capaz de firmar certezas impossíveis, com dados forjados mentalmente, na ânsia de adaptá-los para comprovar suas análises “científicas”, firmadas na enganosa teia do materialismo-histórico.

Quanto às condições subjetivas, nem pensar...

Tecidas na mente revolucionária, ré permanente de tristes e conhecidas sentenças históricas, seus exemplos se desintegraram ou ainda estrebucham na história de nossos dias, na forma de simulacros econômicos de dirigismo estatal, que sobrevivem graças a cópias inconfessadas de modelos da economia de mercado, mantidos por seus brutais regimes de opressão, que fizeram e fazem do Holocausto acontecimento sem expressão. Fato que esta mídia engajada e safada parece ignorar...

Suas análises visam a dar à correlação de forças um peso favorável a uma hipotética linha justa de suas visões de “científicos” cultuadores da suposta verdade histórica, a luta de classes em andamento.

Não há exemplo mais significativo deste proceder que os documentos gerados pelas Organizações Militaristas e principalmente pelo PC do B, no período dos anos de chumbo. Caso as condições objetivas e subjetivas retratadas em muitos de seus documentos fossem reais, a vitória era inquestionável. Todavia, parodiando Vandré no futuro do pretérito, “quem sabia faria a hora, não esperaria acontecer”, porém, os indecisos soldados é que viviam com razão e com a vitória na mão.

Quais as razões que levaram os que diziam e os que ainda pensam e murmuram nos conluios com Beto, Leonardo Boff, Marco Aurélio Garcia, Marta Harnecker, Stédile, Emir Sader e tantos outros:

“ter a certeza na frente, a história na mão,

caminhando e cantando e seguindo a canção

aprendendo e ensinando uma nova canção” ;

a continuar argüindo pretensas verdades, cultivando utopias e incentivando futuras aventuras de guerrilhas urbanas e rurais, alicerçadas na doutrina pseudocientífica do materialismo-histórico, que gerou tantas derrotas e mortes aqui no país.

Sonhos de Poder, de coveiros de jovens aventureiros...

Adotando e adaptando o pensamento de Eduardo Giannetti, vemos que a amostragem de seus legados, modelos de opressão e terror, indicam a crença marxista de – ‘uma “superestrutura divina” a serviço de uma “infra-estrutura demoníaca” no fazer – parece acompanhar, mutatis mutandis, os casos mais aberrantes de entusiasmo ideológico e fanatismo político.’ (página 109). O grau de cegueira nesses casos é função direta da força do crer sem saber...

Como é cegueira deixar a História passar, achando que devemos calar...