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Ciência sem Consciência



Fenômeno enigmático a ciência! Com uma mão combate as trevas, e com a outra semeia o nada; pode criar e destruir, salvar e dizimar, libertar e enclausurar. Oh, enigma dos novos tempos! Oh, esfinge de aço inoxidável, inexorável, de voz esteriofônica e olho de raio X, se guardas tantos tesouros e tanto saber, porque esse traço de ameaça em teu semblante virtual? É preciso que te decifremos, pois, do contrário, decerto que nos devorarás.

A ciência pura (ou básica)

Vamos começar a montar o perigoso quebra-cabeça que é a ciência pelo seu ingrediente mais poético, o elemento que aproxima o cientista do artista, do místico, do filósofo e de todos os que têm a capacidade de se admirar com o mundo em que vivem. Referindo-se a esse ingrediente, Platão afirma que o conhecer tem origem no assombro. E a ciência realmente tem algo a ver com essa faculdade, tão própria das crianças, que é a de maravilhar-se diante da natureza. Muitas vezes o que move o cientista é um íntimo e impreciso sentimento de assombro diante do milagre da existência. Ele se sente atraído pela ordem, pela simetria e pela perfeição que reinam no mundo, e quer perscrutar as regiões mais recônditas da natureza para ali descobrir uma perfeição e uma ordem ainda mais sutis e abrangentes. É como se ele buscasse na ciência apenas um maravilhar-se contínuo e cada vez mais intenso, e quisesse sentir permanentemente aquilo que uma criança sente ao descobrir o mundo.

Conta-se que alguns inclusive conseguem. O certo é que nas raríssimas vezes em que esse elemento consegue se sobrepor às seduções do poder e da vaidade, às exigências paralisadoras e isoladoras da especialização e à mesquinharia das disputas acadêmicas, o fazer científico tem condições de se aproximar de uma declaração de amor à natureza. É este elemento que faz surgir um interesse meramente especulativo por ela, o qual esteve presente na origem da filosofia grega, no século VII a.C., quando Tales deu início à física jônica, e ainda hoje faz com que muitos pesquisadores se dediquem à chamada ciência pura, ou, como também se diz, à pesquisa básica, ou seja, àquele tipo de investigação científica que não visa imediatamente uma aplicação prática.

 

Édipo, personagem da mitologia grega, foi o único a conseguir decifrar o enigma da esfinge de Tebas, que devorava quem não o decifrasse. Indagava ela: "Qual é o animal que tem quatro pés de manhã, dois ao meio-dia, e três ao atardecer?". Édipo respondeu: "É o homem, que, na infância, arrasta-se sobre os pés e as mãos; na idade adulta, mantém-se sobre os dois pés; e na velhice, precisa de um bastão para andar." A esfinge propõe então novo enigma: "São duas irmãs. Uma gera a outra. E a segunda, por sua vez, é gerada pela primeira. Quem  são elas?" "A escuridão e a luz", respode Édipo. "A luz do dia, clareira aberta no céu gera a escuridão da noite, que por sua vez precede o dia"
Édipo e a Esfinge (cerca de 1864) - Gustave Moreau

A ciência aplicada

Mas houve um longo caminho até que o primeiro homem pudesse se consagrar a uma tão desinteressada observação da natureza. Durante muitos milênios, o conhecimento sobre os fenômenos naturais esteve orientado a finalidades bem mais práticas e imediatas, diretamente relacionadas com a própria possibilidade da existência humana na Terra. A ciência é herdeira de uma tradição de conhecimento técnico que remonta aos primórdios da civilização, e essa herança é o que dá origem a um outro elemento essencial de nosso quebra-cabeça, ao lado prático da ciência, ou, como se costuma dizer, aplicado.

O primeiro fator a originar um significativo incremento do saber humano sobre a natureza foi a necessidade do desenvolvimento da agricultura. Para fazer frente à crescente demanda de alimentos gerada pelo aumento da população, muitos povos primitivos sentiram que era preciso cultivar o solo, e essa primeira necessidade levou à conquista de vários tipos de conhecimento. De início, esses conhecimentos relacionavam-se às técnicas de fabrico de instrumentos agrícolas, às características das diversas plantas e solos, aos ciclos naturais e aos fenômenos meteorológicos. Mas logo a prática agrícola lançaria também as primeiras sementes da geometria e da astronomia. Revelou-se importante, por exemplo, a observação sistemática do céu e o estabelecimento de relações entre as posições dos astros e as épocas de plantio; a possibilidade de ler o calendário dos céus chegou a ser, literalmente, uma questão de vida ou morte para muitos povos antigos. Observatórios como o Canhão do Chaco no Novo México, Angkor Vat no Camboja, Stonehenge na Inglaterra, Abu Simbel no Egito e Chichen Itzá no México são exemplos eloqüentes desse ancestral interesse pelo estudo dos astros.

Tal foi o impacto causado na vida social pelo desenvolvimento de todas estas técnicas e saberes que a assim chamada revolução agrícola é vista como um marco do surgimento da civilização, sendo o cultivo do solo o parâmetro através do qual muitos historiadores distinguem os povos da Antigüidade em primitivos e civilizados. Onde quer que surgisse a agricultura, a civilização também criava raízes.

Desde os tempos dos primeiros agricultores até hoje, a importância da técnica para a vida humana só fez aumentar. Há muito que a revolução agrícola foi suplantada pela revolução industrial, em suas diversas fases, e hoje vivemos em meio a uma permanente e diária revolução informática cuja dimensão e significado ainda não é possível avaliar. E há muito que todo o saber técnico da humanidade foi absorvido por aquilo que chamamos hoje de ciência, transformando-se num de seus principais componentes. De fato, é sobretudo este componente técnico e prático da ciência o que lhe confere a importância vital que ela possui atualmente, investindo-a de uma missão da máxima seriedade. Porém, se o surgimento da técnica marca o início da civilização, hoje em dia a sua utilização inconsciente ameaça destruí-la.

A ciência como instrumento de poder                                                          

Na verdade, a inconsciência dos cientistas é a causa da ambigüidade de suas atividades. E a relação entre ciência e consciência nos conduz ao desvendamento do nosso enigma. Estamos falando aqui da aptidão da ciência a se transformar em instrumento de poder. Esta aptidão resulta, em primeiro lugar, de um lado perigoso e problemático da tecnologia, o qual começou a se tornar evidente desde os primórdios desta. No momento em que o homem percebeu que a técnica lhe possibilitava dominar os processos naturais, ele também percebeu que ela possibilitava a dominação de outros homens.

É esta particularidade da tecnologia o que dá origem ao mau uso das descobertas científicas. Trata-se de um setor sombrio da ciência, do qual o principal propulsor é a guerra. As primeiras manifestações nesse sentido ocorreram sem dúvida nos campos de batalha. Foi o que aconteceu, por exemplo, já no século XII a.C., quando foi descoberto que forjar o ferro no calor e temperá-lo na água dava-lhe um gume duradouro. Este metal, por ser bem mais abundante e portanto mais barato que o bronze, terminou então por substituí-lo na fabricação de ferramentas e armas de guerra.

Evidência mais recente do pacto entre tecnologia e poder material foi o rápido desenvolvimento que durante a Primeira Guerra Mundial tiveram a aeronáutica e a metalurgia, ou, ainda, o fato de que, durante a Segunda, os EUA tenham reunido os mais conceituados cientistas do mundo inteiro para desenvolver a física nuclear, iniciativa que, em tempo recorde, fez com que a primeira bomba atômica viesse a ser não apenas desenvolvida como também “testada” no coração de duas cidades japonesas. Durante a Primeira Guerra Mundial, o alvo foram as armas químicas, e durante a Segunda, a bomba atômica. Foi depois desses dois grandes “sucessos” que o investimento maciço nas pesquisas de aplicação bélica se iniciou, tendo algum tempo depois chegado a acumular um arsenal nuclear suficiente para destruir a Terra  setenta vezes.

Essa má utilização da tecnologia também é geradora da falta de critério na seleção das pesquisas a serem realizadas. A viagem à lua, por exemplo, que custou bilhões de dólares, foi um contra-senso diante da situação calamitosa do mundo, com populações inteiras vivendo na miséria e morrendo de fome. O fato de um grupo de astronautas ter saído deste grande espaço terrestre tão carente de recursos básicos de sobrevivência para se aventurarem numa extra-onerosa viagem de risco (que estava sujeita a redundar num grande fracasso, como efetivamente aconteceu) constituiu um abuso e um desrespeito à humanidade. E os autores dessa aventura nem  mesmo se constrangeram por terem trazido de lá uma das coisas mais abundantes que nos mais temos por aqui: pedras! Esse exemplo de inconsciência no modo como são aplicados os conhecimentos científicos é gritante e público, mas também no dia-a-dia dentro das universidades os projetos e as pesquisas são direcionados em função não das necessidades mais prementes do homem, e sim de interesses financeiros.

Segundo a revista Impact of Science on Society, editada pela UNESCO em 1980, quase a quarta parte dos recursos mundiais dedicados à pesquisa científica era consumida pela pesquisa militar, e mais de meio milhão de cientistas estavam atrelados ao desenvolvimento de novas armas1. Nos  Estados Unidos, a situação é ainda mais desoladora, uma vez que, conforme publicado na revista norte-americana Physics Today2, Clinton propunha utilizar nada menos do que 52% do orçamento de sua administração para pesquisa na área que eles chamam de “defesa”, desenvolvendo armas de guerras sofisticadas de todo tipo (químicas, biológicas, nucleares ou eletrônicas), enquanto que apenas 1,6% seria direcionado para a área de recursos naturais e meio ambiente.

Além disso, muitos pesquisadores acabam trabalhando para projetos bélicos sem sequer sabê-lo, visto que seus trabalhos são usados para fins clandestinos. É o que aconteceu, por exemplo, no caso dos desfolhantes que foram utilizados pelos EUA na guerra do Vietnã, os quais tiveram sua origem numa pesquisa que visava o desenvolvimento de produtos agrícolas cujos resultados foram usurpados pelos militares americanos3.

Não é só como produtora de tecnologia que a ciência pode ser instrumento de poder. Ela também pode servir à dominação como produtora de idéias e discursos que sirvam de respaldo ao discurso dos política e economicamente poderosos. A ciência possui esta potencialidade porque ela se apresenta, ou, para sermos mais exatos, é apresentada, como portadora da verdade. Ninguém pode negar que em nossa cultura a ciência adquiriu um status de suprema guardiã da veracidade. Tudo o que se fala em seu nome é escutado com temor e reverência, como se houvesse saído da boca do mais infalível oráculo. Um absurdo, dito por um cientista (ou atribuído a algum), pode transformar-se, em pouco tempo, em artigo de fé para grande parte da população mundial. É claro que temos bons motivos para confiar nos diagnósticos e prognósticos da ciência, e a vida contemporânea não seria possível se não pudéssemos ter essa confiança. O problema é que as pessoas costumam confiar cegamente nas decisões, informações e recomendações dos cientistas sem levar em conta uma série de fatores e interesses que podem estar por detrás de suas atividades. Pois, embora a maior parte delas o ignore, o fato é que eles muitas vezes são assediados por representantes de interesses escusos, que, em troca de tentadoras bonificações, procuram convencê-los a “chegar” a determinadas conclusões. E, além disso, pretende-se muitas vezes que a ciência saia de seu estreito círculo de atuação no mundo material e explique fenômenos que não são de sua alçada.

Encarar a ciência como algo infalível e irrefutável não é, evidentemente, nem um pouco científico. Essa atitude é, antes, expressão de uma certa ideologia que se criou em torno da ciência, a qual vamos aqui chamar de cientificismo. Para compreender o surgimento desta ideologia é preciso voltar um pouco aos tempos heróicos da ciência, quando era ela (quem te viu…) quem combatia a crença cega, o dogmatismo, a tacanhez de espírito. Porque, naturalmente, não se pode negar que ela desempenhou um papel da maior importância em nossa cultura. Ela arrostou bravamente as fogueiras, ridicularizou papas, arejou os espíritos, espanou teias metafísicas de aranha, combateu a terrível força do medo e conseguiu convencer muita gente de que o homem é capaz de realizar coisas maravilhosas sem ter que pagar por isso no inferno eterno.

Tempos heróicos: Ciência X Aristóteles

Durante a Idade Média, a ciência teve de bater-se com dois adversários de peso. Um deles, como se sabe, era a Igreja Católica. O outro era Aristóteles, filósofo considerado pelo poder eclesiástico como suma autoridade em todos os assuntos não diretamente relacionados à religião.

Aristóteles procurava explicar os fenômenos naturais sem lançar mão de pressupostos teológicos, e por isso tornou-se o homem ideal para completar o quadro teórico do pensamento medieval, cuja estreiteza não podia suportar qualquer concepção religiosa que não fosse a sua. Aliás, é só por comodidade lingüística que estamos chamando de religiosa a visão de mundo de uma instituição cujo sustento tinha por origem a exploração alheia. Para a Igreja Católica, Deus era apenas um instrumento de poder, e jamais poderia ter estado no centro do universo. Este lugar central, a seu ver, só poderia ser ocupado pela matéria, ou, em última instância, pela própria Igreja. Esse traço da ideologia católico-medieval é evidenciado pela adoção eclesiástica do modelo cosmológico aristotélico, com a Terra no centro e o sol girando ao seu redor.

Com Aristóteles tudo se resolvia: para o que não estava nas Escrituras, bastava ver o que o filósofo tinha dito e assunto encerrado. E foi assim que os “sábios” do Ocidente por séculos e séculos acreditaram piamente, por exemplo, que os corpos mais pesados caíam mais rapidamente que os mais leves, sem jamais cogitarem observar diretamente os fatos para ver se as coisas aconteciam mesmo dessa forma. Por isso, a imagem de Galileu no alto da Torre de Pisa, deixando cair simultaneamente dois corpos de pesos desiguais e verificando que chegavam ao mesmo tempo ao solo4, é um símbolo do surgimento de uma maneira de pensar totalmente nova.

Hoje em dia é difícil avaliar a dimensão dessa mudança de mentalidade. O homem do Renascimento achou-se subitamente diante de um mundo totalmente novo, cheio de encantos e surpresas maravilhosas. Com o auxílio da ciência, descobriram-se novos continentes, com fauna, flora e sociedades totalmente diversas das conhecidas; com os instrumentos ópticos, o infinitamente pequeno e o infinitamente grande se abriram ao olhar atento do pesquisador; constatou-se que os mares não eram habitados por serpentes marinhas e que as leis que governam o movimento dos astros atuam também sobre a Terra. Aquele assombrar-se e maravilhar-se, que Platão afirma ser a condição do conhecimento, passou a ser o estado de espírito constante de toda uma nova intelectualidade que habitava as recém-formadas cidades, numa cultura que se adornava ao mesmo tempo com as mais impressionantes vitórias do saber contemporâneo e as mais viçosas flores das civilizações antigas.

A influência de Aristóteles na ciência moderna

É em meio a esse clima de confiança e de valorização do homem, em meio ao sentimento geral de libertação em relação ao passado e de otimismo em relação ao futuro, que nasceu e se desenvolveu a ciência moderna. Mas o vigor e a virulência com que a ciência combatia o dogma religioso terminou por conduzi-la ao extremo oposto, a um novo dogma. Tornou-se assim, para surpresa geral, semelhante a seu oponente: o otimismo se converteu em fanatismo, a confiança na ciência em culto à ciência, e o discurso científico cedeu lugar à pregação cientificista.

É impressionante notar como ainda hoje a maioria das pessoas, e inclusive dos cientistas, têm dificuldade para separar ciência e cientificismo, e reconhecer que este é exterior à essência daquela. Um dos elementos dessa ideologia já foi por nós mencionado: é a idéia de que tudo o que é científico é necessariamente verdadeiro. O outro elemento é uma radicalização ainda maior desta idéia já sumamente radical: trata-se da concepção que só considera verdadeiro o que é científico, ou seja, que faz da ciência a única fonte legítima da verdade. De tanto criticar o conceito medieval de verdade, baseado na crença, a ciência chega a outra crença, a que considera como verdade apenas o que pode ser constatado diretamente por via experimental. Quem adota essa forma de pensar está a um passo tanto do ceticismo, que já considera de antemão falso tudo aquilo que a ciência não pode “provar”, quanto do materialismo vulgar, tão comum em certos meios científicos, que consiste em considerar como real somente aquilo que se pode ver e tocar, ou diretamente ou através de instrumentos científicos.

Assim caracterizado, cabe observar, o cientificismo marca o início de uma etapa em que, surpreendentemente, a ciência se reconcilia com seu antigo opositor, Aristóteles. Pois descendem em linha direta do filósofo grego algumas das linhas principais do credo cientificista: a tentativa de explicar todos os fenômenos por meio de causas materiais, a ênfase na lógica e nos métodos matemáticos como instrumentos privilegiados para o conhecimento da verdade, a tendência sempre crescente à atomização do saber em disciplinas independentes, cada vez mais especializadas, em detrimento da visão de conjunto.

Refutação do cientificismo

Por outro lado, para refutar o cientificismo basta ter presente o fato, sabido e notório no âmbito acadêmico, de que a ciência jamais pôde e jamais poderá provar qualquer coisa de forma definitiva, e que, por isso mesmo, toda verdade científica é sempre algo aberto e provisório, sujeito a alterações, correções e contestações. Esta impossibilidade está ligada ao fato de que a ciência se baseia na experiência, mas essa mesma experiência (científica, bem entendido) nunca é suficiente para garantir uma certeza absoluta e definitiva. Isso Platão já sabia no século IV a.C., e David Hume o demonstrou de uma vez por todas no século XVIII de nossa era.

Essa limitação mostra como são absurdas as pretensões do cientificismo, e como o ceticismo e o materialismo científico têm um caráter mítico: se a ciência não é capaz de garantir de forma absoluta sua veracidade, como pode pretender ser a única fonte da verdade? E mais: não sendo capaz de estabelecer sequer sua própria verdade, como a ciência pode se arrogar o direito de decidir sobre a falsidade daquilo que está fora de sua alçada? E que dizer do famoso ateísmo científico? Há coisa mais mítica e menos científica do que esse ateísmo? Não é evidente que demonstrar a inexistência de Deus é tão impossível quanto o era, para os pensadores medievais, demonstrar Sua existência? 


A escola de Atenas, Rafael (1511) - Palácio do Vaticano, Roma

Entre arca do tesouro e caixa de Pandora

Mas se o cientificismo é assim tão contrário à própria ciência, por que motivo essa ideologia continua tão defendida e aceita? Pelo motivo que já apontamos: ela serve como instrumento de poder. Se a ciência fosse realmente a única fonte segura e infalível da verdade, caberia evidentemente a ela governar o mundo e decidir sobre o que é melhor para todos. Talvez por isso os governos gostem tanto de dar emprego a cientistas em seus ministérios. É notável como um verniz científico torna crível qualquer discurso oficial e acaba convencendo as pessoas da necessidade e da justiça de qualquer política governamental. Da mesma forma se explica o porquê de as campanhas publicitárias tanto insistirem em nos provar cientificamente que tal ou qual produto é absolutamente essencial para que se alcance a felicidade.

Vê-se então que, através do cientificismo, a ciência fornece ao poder constituído uma utilidade suplementar, a qual apenas aparentemente é menos importante e perigosa do que a exploração de suas potencialidades bélicas. Submetendo-se a essa dupla exploração, a ciência tem vendido – e a preço cada vez mais baixo – a sua dignidade e sua autonomia, descendo à condição vexatória de instrumento de dominação política, econômica, cultural e ideológica. Subsidiando a escalada armamentista e o erguimento dos impérios mundiais da grande indústria e das comunicações, ela causa a disseminação da miséria e do sofrimento, sendo que, com os mesmos recursos financeiros usados para tal fim, teria, no entanto, todas as condições para  erradicá-los.

E se quisermos um símbolo para essa espúria relação entre ciência e poder poderemos recorrer mais uma vez à figura de Aristóteles, evocando o período em que atuou como tutor de Alexandre da Macedônia, um dos mais notórios tiranos da História. A imagem de Aristóteles transitando pelas altas câmaras do poder macedônio antecipa simbolicamente, em dois mil anos, a atitude dos cientistas que se envolveram nas pesquisas nucleares cujas conseqüências trágicas são bem conhecidas, e a daqueles que durante a guerra fria consumiram, no mirabolante e paranóico projeto americano chamado de Guerra nas Estrelas, recursos que poderiam minorar significativamente o problema da fome no mundo. Igualmente aristotélicos são aqueles sóbrios senhores que de vez em quando vêm explicar-nos logicamente na televisão, com o auxílio de gráficos e equações, que a miséria é inevitável e necessária.

Assim é que em nosso mundo totalmente “civilizado” pela tecnologia e pela ciência há muito mais fome do que havia nos estágios primitivos da humanidade, e ainda temos de conviver com fantasmas totalmente desconhecidos naqueles tempos, como a ameaça nuclear, o perigo da catástrofe ecológica, a propaganda subliminar e a manipulação genética.

Um chamado à consciência

A ciência, naturalmente, é chamada a desempenhar um papel decisivo na reversão desse panorama. Mas os cientistas não têm dado ouvidos a esse chamado. Têm-se eximido de qualquer responsabilidade por essas perigosas potencialidades da ciência, e tentam justificar essa omissão refugiando-se ou no elemento meramente especulativo da atividade científica ou no seu elemento meramente prático. Mas apelando a esses dois aspectos da ciência apenas para justificar a omissão em relação a um dever que lhes é inerente, eles não fazem mais que desfigurá-los, e por desfigurar, assim, a própria ciência, fazendo-a passar da condição de benfeitora da humanidade à de temível ameaça.

Por um lado, há os cientistas que preferem fechar os olhos encerrando-se voluntariamente numa incomunicável torre de marfim da “ciência pura”, declarando nada terem a ver com qualquer possível aplicação da ciência, uma vez que sua própria atividade é meramente teórica. Falando assim eles parecem acreditar que existe uma linha de fronteira bem demarcada entre a ciência teórica e a aplicada, constantemente vigiada por policiais armados e treinados e fiscalizada por experientes fiscais aduaneiros. É claro que esta fronteira não existe, pois o que é hoje apenas teórico, daqui a um século, ou amanhã mesmo, pode vir a ser tecnologia em escala industrial, conforme nos comprova a História.

Justamente por ser baseada na experiência, a ciência tem sempre uma relação possível com a técnica, e isso transfere até mesmo ao mais teórico dos pesquisadores o dever moral de refletir sobre a utilização de seu trabalho e de zelar para que ela se dê de maneira consciente, isto é, em benefício do ser humano. Aliás, o desejo – de fundo egoísta – de escapar a essa responsabilidade pode em grande parte explicar uma certa obsessão, demonstrada por muitos cientistas, de construir um domínio científico totalmente isolado da aplicabilidade prática. Na verdade, essa obsessão tem levado principalmente a duas coisas: ou à divagação inconsistente e anticientífica, ou a uma especialização que chega a raias absurdas, a ponto de fazer com que o pesquisador perca até mesmo a possibilidade de compartilhar seu suposto conhecimento com o restante da humanidade, já que nem mesmo seus colegas de laboratório conseguem entendê-lo. Tanto num caso como no outro, esses pesquisadores deveriam considerar a possibilidade de empregar de maneira mais útil e altruísta o dinheiro público destinado a custear suas atividades.

Na ciência aplicada, é muito comum uma atitude aparentemente oposta à dos cientistas teóricos, mas que condiz perfeitamente com ela no que diz respeito à recusa em assumir responsabilidades. É a atitude daqueles que consideram que o cientista deve se limitar à produção de tecnologia sem se importar com o problema da sua aplicação prática, delegando o poder de decisão sobre a utilização dos recursos tecnológicos à indústria ou ao governo. O interessante é que muitos pesquisadores pensam que com esses discursos estão delimitando um terreno exclusivo da ciência, dentro do qual exercem sua atividade livremente, sem se sujeitar a pressões. Mas será que eles são realmente tão ingênuos a ponto de acreditarem nesta pretensa autonomia e não desconfiarem que sua produção e mesmo seus “interesses científicos” estão sendo determinados, bem longe de seus laboratórios, por interesses totalmente anticientíficos? Exatamente porque não se dão ao trabalho de refletir criticamente sobre o sentido do que estão fazendo, e por renunciarem à prerrogativa natural de decidirem sobre o destino de suas pesquisas, eles abrem espaço para que os poderes econômico e político façam seus próprios objetivos valerem como as metas principais da ciência, através de incentivos a determinadas linhas de pesquisa em detrimento de outras, e das mais variadas formas indiretas de suborno e troca de favores implícitas nas políticas oficiais de fomento da atividade científica.

E isso nos casos em que a cooptação ainda precisa ser indireta, pois há muitos cientistas que já perderam totalmente o pudor que sua profissão deveria inspirar, e defendem publicamente a idéia de que a ciência é por natureza um instrumento dos jogos de poder, e que por isso tem necessariamente que se sujeitar às vicissitudes do mercado e da política. Esses, que costumam se considerar mais realistas que seus colegas, já acham que a ciência faria bem em se mudar de vez para os prédios das grandes indústrias ou para os gabinetes ministeriais, e tacham de romântica toda tentativa de pensá-la a partir de um ponto de vista ético, e de direcioná-la de acordo com este ponto de vista.

Realmente, levar em conta a ética na área científica nada tem de romântico, mas se constitui hoje em dia em uma absoluta e urgente necessidade, que deveria levar os cientistas a assumirem seu inevitável compromisso para com a sociedade. Não é que eles ignorem este compromisso, mas apenas costumam esquecê-lo e não levá-lo em consideração enquanto estão fazendo ciência. Por isso, chegam a pensar que sua atividade não precisa necessariamente reverter em benefício de todos aqueles sem os quais não poderia haver nem ciência nem vida social alguma, e não apenas deles, mas também de todos os seus descendentes e dos descendentes destes, ou seja, em benefício do ser humano em geral. Fazem ciência mas perdem de vista a razão de ser da ciência. Sabem fazer ciência, mas não sabem o que ela é. Não sabem, portanto, o que fazem. Ora, aquele que não sabe o que faz age, por definição, inconscientemente.

OS DONOS DO CAPITAL:  PESQUISA E PIB

Nos países chamados “desenvolvidos”, o tamanho da maquinaria científica está significativamente relacionado ao seu Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, ao saldo de todas as transações comerciais do país. Quanto mais produtivo é o país em relação à tecnologia, maior é o seu PIB. Em países como os Estados Unidos, o Japão e os da Europa, o conceito de “pesquisa e desenvolvimento” (P&D) já se encontra há algum tempo plenamente integrado ao planejamento econômico. A ciência, de forma paulatina, tem se tornado um mero apêndice da economia.

O atrelamento da ciência às forças do mercado é um sinal de que ela está sendo usada para gerar novos produtos destinados a serem fonte de lucro de alguns grupos financeiros. Esse lucro não é direcionado para o bem-estar geral da sociedade. Na verdade, depois de terem sido inventadas as estratégias de marketing de um produto determinado, e de elas terem surtido o efeito desejado, pouco importará, aos que o vendem, que ele seja útil ou não. Haverá exceções, mas (e isto não é nenhuma novidade) geralmente é assim. Os sofisticados meios de comunicação em massa exercem tal poder hipnótico sobre a sociedade de consumo que não é difícil fazer de um produto fraudulento um grande sucesso de vendas. O objetivo é a venda em si mesma, e não, como deveria acontecer, a satisfação de necessidades verdadeiras do homem. Uma ilustração evidente a esse respeito são os cigarros e as bebidas alcoólicas. Outro exemplo é dado pela indústria automobilística, que é aliada das indústrias petroleiras, as quais promovem a venda indiscriminada de carros de alta potência movidos a gasolina, que atingem velocidades acima dos limites permitidos pela lei e que produzem sérios problemas de poluição ao ambiente. É a manipulação da sociedade de consumo o que faz com que o consumidor prefira não investir em carros menos poluentes, como os de combustível a álcool. E quem é que já não percebeu a tremenda pressão que é feita sobre os usuários de microcomputadores para trocarem de aparelho todo ano em função da invasão de software e hardware “sofisticados”, que funcionam “exclusivamente” no sistema novo?  

Os responsáveis pelo frio cálculo do PIB, a serviço do qual a ciência tem sido colocada, apenas levam em conta o que se compra e o que se vende, desprezando o alto preço que teremos que pagar pela destruição do meio ambiente e pelo esgotamento dos recursos naturais, e parecem não se lembrar das condições indignas de vida em que milhões de pessoas se encontram devido à acumulação do capital nas mãos de poucos. A sujeição da ciência a interesses econômicos é uma das principais causas da grande crise que a sociedade moderna atravessa.

Ciência e religião

É bastante comum a propensão a considerar a ciência como algo antagônico à religião. Porém, a ciência, com o tempo, acabou se transformando em religião e a religião em ciência, o que significou a degeneração e falsificação de ambas.

Por um lado, já mostramos que aquilo que tem sido considerado como oposto à religião não é a própria ciência, mas sim uma ideologia anticientífica à qual a ciência aderiu artificialmente. Por meio desta ideologia, que chamamos de cientificismo, a ciência se torna, ela mesma, uma nova religião. Por outro lado, há milênios tudo o que tem sido chamado de religião tem se mostrado incapaz de levar os homens a se unirem tanto entre si como à fonte de onde procede a vida, união essa que é o próprio sentido do nome religião (religação). Essa deficiência fez com que a religião se afastasse de seu elemento próprio, que é o do mistério e do espírito, e se transformasse em mera teoria. E na medida exata em que o conhecimento religioso desce ao nível da teoria e da crença, ele se torna alvo possível da crítica cientificista, que lhe opõe suas próprias teorias, suas próprias crenças e superstições. Esquecida de sua origem e do sentido de sua existência, a religião aceita então o debate no fórum inimigo, e não se envergonha da ridícula figura que faz ao manejar argumentos lógicos e científicos para defender suas doutrinas.

Também o conteúdo ético da religião tornou-se meramente teórico. Os pregadores religiosos recitam bonitos sermões sobre os valores morais, o altruísmo e a conduta reta. Mas orador e auditório sabem que na prática a coisa é diferente. Na prática vale a lógica. A lógica da relação custo/benefício, do cálculo das vantagens e desvantagens de cada ação ou palavra.

Já a ciência, para deixar de lado todo e qualquer rastro de dogmatismo religioso, deve se mostrar capaz capaz de abandonar seu materialismo e renunciar à pretensão de compreender logicamente todo o universo, pois a lógica só existe na cabeça dos homens e não na natureza. Isto significa que ela deve ser capaz de reintroduzir em si o mistério. Apenas assim poderá recuperar o sentido original de seu elemento teórico e especulativo. Pois o que é o assombro platônico diante do universo senão o próprio sentimento do mistério?

Mas como isso poderia acontecer, se aquele que deveria ser o portal de entrada do mistério na cultura já se transformou no espaço da lógica e do materialismo? A ciência só decaiu em dogma “religioso” porque a religião, que deveria ser a guardiã do mistério, já havia se transformado em “ciência”.

Por outro lado, o verdadeiro sentido do elemento técnico da ciência só poderá ser resgatado quando os cientistas se derem conta da necessidade de agirem conscientemente e assumirem as responsabilidades pelo que fazem. E a verdade é que para eles isso não é fácil, porque as instituições que deveriam indicar a todos o caminho da consciência, que deveriam, portanto, ensinar os valores éticos, têm sido as primeiras a aderirem ao jogo do cálculo lógico das conveniências.

Vê-se então que a solução do problema da ciência depende de um renascimento da religião, entendida não como mera instituição social, não como aglomeração política inconsciente de “fiéis” ou “crentes”, e não como conjunto de doutrinas teóricas, mas como verdadeira religação do homem à dimensão do espírito, que é a dimensão do mistério, a única capaz de levá-lo ao reconhecimento de sua natural responsabilidade para com o bem-estar de seus semelhantes. Só assim será possível fazer nascer a nova ciência, a verdadeira, a que poderá resgatar o sentido de uma investigação sistemática dos fenômenos naturais de forma, enfim, consciente.

 

CIENTISTA: CIENTE ESTÁ? 

Muitos estudantes ingressam nas universidades visando seguir carreira científica e aspirando poder contribuir, com seu trabalho, para o progresso e o bem-estar da humanidade. Porém, aos poucos, eles começam a perceber que a carreira acadêmica é um jogo a cujas regras devem se sujeitar caso pretendam “vencer” profissionalmente. São então estimulados a dedicar grande parte de seu tempo a um estudo cujo objetivo ou utilidade desconhecem, como se estudar qualquer coisa fosse realmente válido. Aos poucos, começam a perceber que, para os que já estão nesse jogo  (como, por exemplo, seus professores), o objetivo principal é a publicação do maior número possível de trabalhos, independentemente de eles terem alguma utilidade real ou não.

Ao ingressar num curso de pós-graduação, o estudante universitário se dá conta de que cada disciplina ministrada é concebida dentro dos limites de uma determinada especialidade, cujo domínio implica o conhecimento de uma complexa terminologia que parece existir unicamente em detrimento da simplicidade. Desse modo, ele é motivado a dedicar-se à conquista de um nível de especialização cada vez maior. Aos poucos, em favor dessa especialização, perde -se a “visão do todo”; e a ligação entre pesquisa e realidade concreta torna-se mais tênue a cada dia. Linhas de pesquisa potencialmente capazes de minimizar os problemas sociais são então  deixadas de lado em favor de outras que, embora extremamente limitadas do ponto de vista de sua aplicabilidade, são consideradas pelos meios científicos internacionais como de grande relevância. Assim é que os estudantes acabam perdendo de vista o papel do cientista na sociedade e deixando de ter interesse em resolver os problemas sociais que demandam soluções imediatas.

Concluído o mestrado, é de praxe o estudante universitário dar início a um curso de doutorado. Neste estágio, provavelmente, aquele que for mais sensível já se sentirá violentado pelo fato de haver dedicado tanta energia a uma atividade na qual não vê sentido, e que não corresponde nem mesmo remotamente a sua antiga aspiração de prestar bons serviços à coletividade. Já sentirá, em suma, que ameaça apagar-se dentro dele aquela velha chama que o motivava a fazer coisas boas, e que conferia às atividades de seu dia-a-dia um amplo sentido. Como recompensa pela perda, o sistema acadêmico lhe oferece então a possibilidade de começar a pronunciar-se em congressos e cursos de diversas partes do mundo. Em nome do “intercâmbio científico”, os pós-graduandos podem expor os resultados de seus estudos e até mesmo falar sobre as aplicações potenciais de seus trabalhos, ou, caso elas inexistam por completo, simplesmente inventá-las. A cada exposição, passado o constrangimento de ter que falar sobre um trabalho cuja finalidade é ignorada por todos, o estudante fica liberado para retornar ao hotel no qual se hospedou com todas as despesas pagas ou, se o preferir, para tomar a fresca pelas ruas da cidade.

Terminado o doutorado, o já então ex-estudante certamente estará ciente de que dedicou anos de sua vida a atividades de pesquisa pelas quais, ao fim e ao cabo, ele jamais optou, mas que foram levadas adiante em função dos interesses da universidade. Porém, seu antigo sonho de fazer algo útil através da ciência poderá lhe parecer agora uma simples quimera do passado, e, a não ser que ele seja dotado de uma força de vontade fora do comum, não deixará de se sentir atraído pelas possibilidades profissionais que vê à frente e concluirá que o melhor a fazer é dar continuidade a sua carreira acadêmica. E, para alcançar esse objetivo, estará disposto até mesmo a trabalhar pela perpetuação do engodo no qual, inadvertidamente, ele próprio caiu. Não hesitará, portanto, em amoldar-se ao sistema universitário.

Ao se tornar, por fim, professor pesquisador, o ex-estudante não poupará esforços para reunir “méritos” que lhe permitam obter vantagens em sua carreira profissional, tais como a efetivação do vínculo empregatício que o liga à universidade e a conquista de cargos visados no âmbito acadêmico (assessor junto aos órgãos de fomento à pesquisa, consultor, chefe de departamento, diretor de instituto, pró-reitor, etc.), entre outros. A fim de consegui-lo, ser-lhe-á fundamental, é claro, que conste em seu currículo um grande número de publicações. Sua meta passará então, ironicamente, a ser a mesma de seus antigos professores, aquela que, anos antes, tanta estranheza lhe causara: publicar sempre o maior número possível de trabalhos.

Passado algum tempo, algumas décadas talvez, o cientista terá perdido quase que completamente o seu interesse por tudo aquilo que diga respeito ao, por assim dizer, “mundo lá fora”, isto é, por tudo o que se encontra além da sala ou laboratório em que ele passa o tempo a debruçar-se sobre questões extremamente específicas (muitas vezes, nem mesmo a família escapa). A feroz competividade de seu ambiente de trabalho fará com que a escolha dos temas de suas pesquisas seja feita, meramente, em função de seu grau de aceitação nas revistas especializadas de maior impacto na comunidade científica. Adotar alguma linha de pesquisa nova tendo como parâmetro as necessidades reais do planeta lhe parecerá muito “arriscado”, pois ela poderá não ser bem aceita. E, afinal, o salário, as chances de ganhar bolsas, as viagens pagas e o próprio prestígio profissional são proporcionais ao número de publicações que se consegue realizar...

Enfim, esse é o futuro que espera pela grande maioria daqueles que pretendem seguir carreira universitária, seja na área das ciências humanas, exatas ou biológicas. É evidente que esse triste processo de adesão à “máquina” acadêmica pode se dar de maneira mais suave em alguns espaços universitários. Em outros, porém, ele é ainda mais gritante. Somente uma maior sensibilização e humanização por parte da elite universitária em relação às necessidades mais prementes das populações mundiais é que poderá levá-la a repensar os princípios e valores que têm vigorado nas universidades.